17 de mar de 2008

Um dia desses atrás foi o dia da poesia!


E eu não poderia deixar que registrar esse momento!

E tudo começou com o padre José de Anchieta escrevendo "Poema à Virgem" nas areias de uma praia e memorizando os versos para passar mais tarde para o papel. Muitos dizem que ali nasceu a poesia brasileira. Hoje, cinco séculos depois, em 14 de março, é comemorado o Dia Nacional da Poesia. A data foi escolhida em homenagem ao poeta baiano Castro Alves (1847-1871), que um dia escreveu "Eu sinto em mim o borbulhar de um gênio". Anos depois, Castro Alves virou nome da praça em Salvador e foi homenageado por Caetano Veloso na música "Um frevo novo", que dizia que "a Praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião". A poesia no Brasil teve diversos estilos: de uma índole renascentista até a grande diversidade de individualidades de hoje, passou pelo "Barroco", de Gregório de Matos, pelos árcades do século XVIII mineiro, pelo "Romantismo" de Gonçalves Dias e Castro Alves, chegando ao virtuosismo formal dos "parnasianos", à alta reação espiritualista do "Simbolismo", ao "Sincretismo" que precedeu o "Modernismo" de Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Drummond e por aí vai.
No seio da mulher há tanto aroma... nos seus beijos de fogo há tanta vida...


Dizem que é difícil definir o que é poesia. As definições que se fazem são, inclusive, verdadeiras poesias. O escritor Alexei Bueno, especialista no assunto, autor do recém-lançado livro "Uma história da poesia brasileira", prefere duas definições, que, segundo ele, são as melhores: "Diz a primeira: a poesia é uma indecisão entre um som e um sentido. Afirma a segunda: a poesia é a arte de dizer apenas com palavras o que apenas palavras podem dizer". Em seu livro, ele traça uma linha histórica dos versos brasileiros e critica os que fazem comparações entre os vários estilos da poesia ao longo de 500 anos. Segundo Alexei Bueno, "há simplificações nefastas na percepção vulgar da literatura e das outras artes no Brasil. Pior, sem dúvida, é fruto da ideologia do progresso". O autor combate quem cria "a ilusão de que o mais recente é sempre superior ao anterior". E garante: "Só mesmo um parvo julgaria que o Modernismo é intrinsecamente superior ao Romantismo, do mesmo modo que esse é superior ao Barroco, e assim por diante".

Em uma terra ainda hoje repleta de poetas, em que existe a máxima de que "de médico, poeta e louco todos nós temos um pouco", fica difícil afirmar quem foi o primeiro poeta brasileiro. Há até quem garanta que Pero Vaz de Caminha fez poesia ao escrever a famosa carta narrando o descobrimento. Ou alguém nega que "Em se plantando tudo dá" é poesia pura? Alexei Bueno, no entanto, conta que o baiano Gregório de Matos Guerra (1633-1695) é, sem qualquer dúvida, "o primeiro grande poeta do Brasil". Ele nada publicou em vida, como era comum para autores da Colônia no período, mas sua obra chegou até nós em numerosos códices (espécie de pergaminhos) manuscritos.

Muitos versos foram criados e cerca de 300 anos se passaram até que Gonçalves Dias (1823-1864) escrevesse na célebre "Canção do Exílio" uma das peças mais famosas de toda a poesia brasileira: "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; as aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá". Ainda no Romantismo, o mulherengo Castro Alves, que aos 18 anos já vivia uma vida de marido e mulher com uma moça em Pernambuco e aos 19 era amante de uma mulher dez anos mais velha que ele, declamava: "No seio da mulher há tanto aroma... nos seus beijos de fogo há tanta vida...".

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